
Existe uma situação que destrói o emocional de muita gente: quando a pessoa não te quer de verdade, mas também não te deixa ir embora. Ela sabe que não quer estar com você por completo, mas gosta de saber que você está ali, disponível, acessível, esperando uma mensagem, um sinal, uma migalha de atenção. É assim que você se torna uma opção — não uma prioridade.
Essa pessoa te dá o mínimo para te manter por perto. Um “oi” na hora certa, uma lembrança jogada ao acaso, um encontro quando é conveniente. E isso basta pra te confundir. Porque esse pouco vem justamente quando você já estava pronto pra seguir. Então você volta, acreditando que dessa vez é diferente. Mas não é.
Na verdade, você acabou se tornando um depósito emocional. Alguém que serve pra aliviar o peso da solidão, o tédio ou a carência de quem não sabe ficar só. Quando o mundo dessa pessoa desaba, ela te procura. Quando melhora, desaparece. E você fica ali, tentando entender o que fez de errado, quando na verdade o erro foi ter aceitado migalhas achando que era amor.
Esse tipo de relação é cruel porque cria dependência emocional. Você entrega tudo — atenção, tempo, carinho, energia — e recebe o mínimo. Mas como esse mínimo vem carregado de emoção, você acredita que é suficiente. E não é. É só o bastante pra te manter preso, acreditando numa possibilidade que nunca se concretiza.
Enquanto isso, o outro lado vive tranquilo, sabendo que você está ali, garantido. É conforto, segurança e ego inflado. É o poder de saber que, mesmo sem dar nada, pode ter você a qualquer momento. E é aí que mora o perigo: quando alguém te mantém por conveniência, não por amor.
Você merece muito mais do que ser a distração de alguém indeciso. Você merece ser escolha, não plano reserva. E se ainda existe dúvida, observe os gestos. Quem te quer, demonstra. Quem te ama, cuida. Quem tem medo de te perder, faz de tudo pra ficar. O resto é jogo emocional disfarçado de carinho.
E se um dia essa pessoa te der uma justificativa linda pra te deixar — daquelas que soam quase convincentes — lembra: quem mente bonito também destrói bonito. No final, quem acaba com a cabeça cheia e o coração quebrado é você.
Por isso, antes de culpar o outro, se proteja. Entenda o seu valor. Reconheça o quanto você tem se doado pra quem só te consome. O amor verdadeiro não te esgota, te recarrega. E o que te drena, não é amor — é dependência.
Você é muito melhor do que ser o alívio temporário de alguém que não sabe o que quer. E se ainda restam dúvidas, talvez seja hora de parar de esperar. Porque a paz que você busca em alguém indeciso, só vai encontrar quando escolher a si mesmo.