André Luiz Santiago Eleutério – O que revela o silêncio de quem não se importa com a sua dor.

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Há frases que, quando escutamos, ficam ecoando dentro da gente. Foi assim quando ouvi a ideia de que uma pessoa que consegue dormir tranquilamente, mesmo sabendo que você está triste e chorando, não pode ser o amor da sua vida. Essa afirmação parece simples, mas carrega uma profundidade que merece ser pensada com calma. Afinal, o que é o amor se não a capacidade de se preocupar com o outro?

Parei para refletir sobre quantas vezes aceitamos menos do que deveríamos. Muitas vezes, nos acostumamos com migalhas de atenção e chamamos isso de cuidado. Outras vezes, acreditamos que a indiferença é apenas distração, quando na verdade é um sinal claro de ausência de sentimento verdadeiro. Porque amar, no sentido mais puro, é não conseguir ficar em paz diante da dor de quem é importante. É sentir no peito a necessidade de estar junto, mesmo sem ter todas as soluções.

Se alguém consegue simplesmente virar para o lado e dormir enquanto você chora, talvez o que exista ali não seja amor, mas apenas convivência, costume ou apego. E perceber isso pode ser doloroso, mas também é libertador. Pois entender quem não se importa com a sua dor é o primeiro passo para valorizar quem realmente vai se importar.

Não estou falando de perfeição. Ninguém é capaz de carregar todos os problemas do outro, ninguém consegue estar presente em todos os momentos. Mas existe uma diferença clara entre não conseguir resolver tudo e simplesmente não se importar. A ausência de empatia revela muito sobre a verdadeira natureza de um relacionamento. Amor é inquietação diante da tristeza de quem amamos. É um gesto, uma palavra, um simples “estou aqui”. Quando isso não existe, o que sobra é um vazio difícil de preencher.

Talvez a grande questão seja aprender a não confundir amor com presença física, carinho com apego ou companhia com afeto. O amor de verdade é aquele que nos torna mais fortes, mais leves e mais seguros. Não é o que nos deixa inseguros, sozinhos e desamparados. E essa consciência só nasce quando paramos para observar quem realmente se preocupa com nossas lágrimas.

Escrevo isso não como uma regra, mas como um pensamento que precisa ser amadurecido dentro de cada um. Talvez para alguns seja apenas uma frase bonita, mas para outros pode ser um ponto de virada, um momento de decisão. Porque, no fundo, todos merecemos alguém que perca o sono se for preciso, que sinta a nossa tristeza como se fosse dele, que entenda que o silêncio também fala e que as lágrimas não podem ser ignoradas.

O amor da nossa vida não será aquele que dorme em paz enquanto choramos. Será aquele que, mesmo sem conseguir resolver tudo, se importa. Será aquele que não desvia o olhar, que estende a mão, que permanece. E reconhecer isso é o que nos permite abrir espaço para relações mais verdadeiras e mais humanas.

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