
Todo mundo já viu essa cena: término recente, e do nada, foto com o novo.
Não é coincidência.
É padrão.
A substituição-relâmpago virou resposta automática ao fim.
Mas o que essa pressa tanto tenta esconder?
Muitos homens gays cresceram sem segurança afetiva.
Treinados a esconder sentimentos, aprendemos a performar, inclusive o “estar bem” depois de um fim.
A estética do “já superei” virou armadura.
Sentir virou fraqueza.
Mostrar dor, proibido.
Match novo, ego abastecido, narrativa atualizada.
A lógica dos apps preenche o vazio — mas só por fora.
A foto com o novo parece vitória, mas muitas vezes é só medo travestido de desapego.
A substituição imediata não é sobre o novo,
é sobre evitar o buraco deixado pelo antigo.
O luto virou tabu.
Sentir virou luxo.
E o que não é vivido… volta.
Disfarçado de ansiedade, insônia ou repetição.
Romper esse ciclo não é romantizar a dor,
é parar de mentir pra si mesmo.
Ficar só.
Sentir falta.
Chorar, se for preciso.
É nesse espaço que a verdadeira superação começa.
Redefinir masculinidade entre homens gays é criar espaço para o afeto real.
Dizer “não tô bem” também é força.
Superar não é performar indiferença —
é deixar de precisar provar que seguiu em frente.
Quer saber se superou?
Olha pro que ainda te provoca.
Se ainda precisa mostrar algo, talvez ainda esteja fugindo.
A real superação não precisa de plateia.
Substituir não é superar.
É só uma maneira disfarçada de fugir do luto.
E quem foge do luto… foge de si mesmo.
Quantas vezes você chamou de superação o que, no fundo,
era só medo de sentir de novo?