
Tem gente que só aprende na dor. Eu fui um desses. E talvez você também tenha sido, ou esteja sendo agora. A gente quebra a cara achando que fulano vai ter o mesmo cuidado que a gente tem, o mesmo carinho, a mesma consideração. E não tem. Não tem mesmo. E o pior: quando a gente se decepciona, ainda se culpa por ter confiado.
É duro perceber que aquela pessoa que você defendeu, que você ajudou quando ninguém mais quis ajudar, é a mesma que virou as costas quando você precisou. E o que dói mais nem é a ausência. É a surpresa. É aquele pensamento: “Não esperava isso dele.” Pois devia. Porque a vida já tinha mostrado sinais. A gente só não quis ver.
A verdade é que você precisa parar de achar que o outro vai agir com o seu coração. Porque o seu coração é seu. E tem gente que não sabe nem o que é ter empatia, quanto mais retribuir o que você oferece. Tem gente que recebe tudo de você, suga tudo, e ainda acha pouco. Te julga. Te diminui. Te larga.
E aí você se pergunta onde foi que errou. Talvez o erro tenha sido só esperar demais. Ter colocado nas mãos dos outros uma expectativa que era só sua. O mundo não é justo. As pessoas não são equilibradas. Muita gente só está preocupada com o próprio umbigo. E se tiverem que te passar por cima para se sentirem bem, vão passar. Sem culpa. Sem remorso. Como se fosse natural.
Por isso, entenda de uma vez: nem todo mundo tem o seu coração. Nem todo mundo tem o mesmo senso de lealdade. Tem gente que vai rir contigo hoje e te apunhalar amanhã. Não porque é má, mas porque é rasa. Porque só pensa nela. E você tem que aprender a ver isso sem perder a sua essência.
Não é pra virar alguém frio. É pra ser alguém mais esperto. Que ama, mas não se entrega de qualquer jeito. Que ajuda, mas sabe pra quem. Que sente, mas não se ilude. Que perdoa, mas não esquece fácil. A gente cresce quando para de romantizar o outro e começa a enxergar as coisas como são.
A vida é mais seca do que parece. E às vezes é melhor ser realista do que se enganar com a própria bondade. Coração bom também precisa de limite. Você não tem que ser forte o tempo todo, mas precisa aprender a não se quebrar por quem nunca se importou em te juntar.
E se doer, tudo bem. Porque dói mesmo. Mas depois da dor vem o aprendizado. E com o tempo, você aprende a colocar o coração no lugar certo: dentro do peito e não na mão dos outros.