
Não faço questão de falar. Nem com meus parentes, imagina com quem deixou de falar comigo. Kkk. A atenção é dada conforme é recebida.
E não é mágoa, nem raiva. É constatação.
Por muito tempo eu me forcei a manter pontes. A procurar. A ligar. A lembrar aniversários. A perguntar se está tudo bem, mesmo quando o silêncio do outro lado já dizia que, se estivesse ou não, eu não era mais parte da resposta. Meus dedos digitavam mensagens que não eram respondidas. Meus áudios eram ignorados. Meus convites, silenciados.
E eu seguia tentando.
Talvez porque me ensinaram desde cedo que “família é tudo”, que “amizade de infância é pra vida toda”, que “quem ama não desiste”. Mas descobri que nem toda família é afeto, que amizade precisa de troca, e que às vezes desistir é o ato mais amoroso que podemos ter com a gente mesmo.
Não falo por orgulho. Falo por paz. Ficar em silêncio passou a ser meu modo de não cobrar. De não criar expectativas. De me proteger.
Porque, veja bem, a gente só sente falta daquilo que faz sentido. E quando a ausência do outro não dói mais, é porque a presença já não somava há tempos.
Eu aprendi que não preciso forçar conexões. Não preciso ocupar espaços onde claramente não me querem. E isso não me torna frio, me torna justo comigo.
As pessoas vivem pedindo reciprocidade, mas no fundo a gente se acostumou a aceitar migalhas. A estar disponível demais. A ouvir desculpas esfarrapadas de quem só aparece quando precisa, quando está carente, quando convém. E o resto do tempo?
A gente espera. Esperava, né?
Hoje não mais.
Hoje, se não me procuram, não procuro. Se não respondem, não insisto. Se não demonstram, não imagino. A minha atenção virou espelho: dou conforme recebo.
É justo. É leve.
É engraçado como o silêncio assusta. Quando você para de correr atrás, as pessoas se perguntam o que houve. Te chamam de distante, de fechado, de orgulhoso.
Mas ninguém pergunta quantas vezes você chorou por esperar uma mensagem que nunca veio. Quantas vezes você disfarçou a decepção com um “tá tudo bem”.
Quantas vezes você ouviu “você é demais” só pra depois ser deixado de lado por quem não quis nem o seu pouco.
Cansa ser sempre o que tenta. Cansa ser o elo. Cansa ser o ombro, o colo, o ouvido — quando ninguém quer ser o mesmo pra você.
E olha, eu não tô falando isso pra fazer drama. Tô falando porque alguém precisa ouvir que não tem problema nenhum em se afastar. Que não é feio se preservar. Que respeitar o próprio limite não é frieza — é amor-próprio.
Eu continuo amando os meus. Continuo torcendo, mesmo de longe. Continuo desejando bem, mesmo sem contato. Mas aprendi que presença não se implora.
Ou é natural, ou não serve. Ou flui, ou sufoca.
E se você, que está lendo isso, se sentiu tocado de alguma forma — talvez seja porque também cansou. Porque já se doou demais. Porque também aprendeu, na dor, que o silêncio às vezes é a única forma de manter a dignidade.
Eu não me fechei pro mundo. Só deixei de me escancarar pra quem só me visitava quando era conveniente.
Não quero mais gente meia-boca na minha vida. Ou vem inteiro, ou nem precisa vir.
O silêncio virou minha casa. E nela só entra quem bate na porta com verdade.