
Quantas vezes a gente ouve um amigo, uma amiga, um desconhecido na internet dizer: “Calma, vem coisa melhor por aí”?
A gente ouve isso e, quase automaticamente, o coração começa a imaginar alguém novo chegando. Um novo amor. Um novo relacionamento. Alguém que vai curar o que o outro machucou. Um rosto novo pra colocar esperança onde só tem saudade. Uma nova história pra tentar apagar a anterior.
Mas e se eu te dissesse que nem sempre essa “coisa melhor” tem a ver com outra pessoa?
Pode ser que o que esteja vindo por aí não seja alguém. Pode ser que, finalmente, seja você mesmo.
Sim, você.
A gente vive tanto esperando que o outro traga a nossa salvação, que esquece o quanto pode ser bom e profundo — reencontrar a própria estabilidade. Aquela sensação gostosa de paz dentro do peito. Acordar e sentir que o chão voltou pro lugar. Que você está firme. Que não está mais lutando pra manter em pé um castelo de areia.
Tem dias que a “coisa melhor” que chega não tem rosto nem nome. Tem forma de silêncio. De tempo pra respirar. De projetos que você tinha deixado de lado e, de repente, voltam a fazer sentido. Pode ser aquele curso que você sempre quis fazer, mas deixou pra depois. Pode ser uma ideia nova, um plano, uma semente que só precisava de espaço pra crescer.
E se essa “coisa melhor” for o seu amor-próprio, voltando?
Porque ele volta, sabia? No começo, ele vem devagar, meio tímido, depois de tanto tempo sendo esquecido. Ele volta quando você começa a se tratar com mais carinho. Quando começa a perceber que merece mais do que migalhas. Que não precisa aceitar metade de um amor só pra não ficar só.
Às vezes, o melhor que pode vir por aí é a sua liberdade.
Sim, a liberdade de não depender do humor ou da presença de alguém pra se sentir completo. A liberdade de escolher o que te faz bem. De dizer “não” sem culpa. De não se forçar a caber em lugares que apertam, que cansam, que machucam.
E quando você começa a cuidar de si, tudo muda.
O autocuidado não é só creme no rosto ou chá antes de dormir. É também dizer a si mesmo: “Eu me importo comigo”. É comer melhor, dormir melhor, se afastar de quem te suga, se aproximar de quem te soma. É respeitar seu tempo. Ouvir seu corpo. Colocar limites.
A maturidade chega quando a gente entende que a paz vale mais do que a paixão. Que viver em constante montanha-russa emocional pode até parecer intenso, mas esgota. Drena. Cansa.
Maturidade é olhar pra trás e perceber que nem tudo que acaba é perda. Tem finais que são libertação. Tem despedidas que são recomeços. E tem vazios que não precisam ser preenchidos por ninguém — eles precisam ser respeitados, vividos, compreendidos.
E acima de tudo isso… vem a paz mental.
Essa sim é a coisa melhor que pode vir por aí. E quando ela chega, a gente sente. É leveza. É silêncio confortável. É estar sozinho e não se sentir solitário. É conseguir respirar fundo e dizer: “Eu estou bem”.
Então, da próxima vez que alguém te disser que vem coisa melhor por aí, não corra logo pra imaginar um novo amor.
Olhe pra dentro. Porque talvez o que esteja chegando seja você inteiro, depois de tanto tempo em pedaços.
E essa sim, é a melhor coisa que pode acontecer.