
Tem dias em que a gente sente um vazio que nem sabe explicar. Parece que falta algo. A gente tenta lembrar se esqueceu alguma coisa, mas não é isso. Não é um objeto, um compromisso, uma tarefa. O que falta, na verdade, é a certeza de onde a gente está na vida de alguém.
Porque é assim mesmo. A gente se entrega, se doa, se abre. Cria laços, compartilha sonhos, manda mensagem de bom dia, ouve desabafos. E tudo parece recíproco. A troca de olhares, os sorrisos fáceis, os convites que vêm sem a gente precisar pedir. E aí, sem que nada avise, tudo muda.
A pessoa que ontem parecia te enxergar com olhos de carinho, hoje mal responde suas mensagens. Aquela que dizia que você era especial, que sentia sua falta, que adorava estar perto… agora parece ter esquecido que você existe.
É estranho. E dói. Dói porque a gente nunca sabe exatamente em que lugar estamos na vida do outro. Um dia somos prioridade. No outro, somos apenas mais um nome na lista de contatos. E o mais cruel disso tudo é que, na maioria das vezes, ninguém explica. Ninguém diz o que mudou. Simplesmente mudam.
A mente da gente fica tentando entender. Será que eu fiz algo de errado? Será que eu fui demais? Será que fui de menos? E a resposta não vem. Porque, às vezes, a resposta não está na gente. Está no outro. Está no que ele viveu, no que ele sentiu, no que ele escolheu, sem nos consultar.
E é aí que mora o perigo: tentar encontrar em nós os erros que não cometemos. A gente começa a se diminuir, a se culpar por não ser mais necessário, por não ser mais especial. Mas não é justo com a gente.
A verdade é que as pessoas mudam. E os sentimentos também. Tem gente que chega, faz um estardalhaço no nosso coração e depois vai embora como se nada tivesse acontecido. E o que sobra? Um silêncio estranho. Um monte de perguntas sem resposta. Um lugar vazio onde antes havia afeto.
Mas sabe de uma coisa? Isso também ensina. Ensina que a gente não pode basear nosso valor na forma como os outros nos tratam. Ensina que, mesmo sendo tratados como qualquer um, ainda somos únicos. Ensina que precisamos estar inteiros, mesmo quando alguém nos deixa em pedaços.
É doloroso, sim. É confuso, sem dúvida. Mas, no fim, é libertador. Porque a gente aprende a amar sem se perder. Aprende que ser especial para alguém não é uma garantia de permanência. Aprende que nossa paz não pode depender da instabilidade dos sentimentos dos outros.
Então, se você sente que passou de importante a indiferente na vida de alguém, respira. Não se desespere. Não se culpe. Você não é invisível. Você só está sendo reposicionado na vida de alguém que, talvez, nunca soube onde te colocar.
E isso não diminui quem você é. Muito pelo contrário. Mostra que você tem um coração grande, disposto a amar, a cuidar, a se envolver. E isso, meu amigo, é raro.
Continue sendo você. Mesmo que às vezes isso signifique se afastar. Mesmo que doa. Mesmo que pareça injusto. Continue sendo alguém que sabe amar, mesmo quando não é amado de volta.
Porque, no fim, a gente não precisa ser especial para todo mundo. Só precisa ser verdadeiro com a gente mesmo.
E essa é a verdade mais difícil, mas também a mais libertadora: entender que o lugar que ocupamos na vida dos outros nem sempre corresponde ao espaço que eles ocupam na nossa.
Mas tudo bem.
Porque no nosso próprio coração, sempre haverá um canto de paz. Um lugar onde a gente sabe exatamente quem é. E onde nunca, jamais, será tratado como “qualquer um”.