
Se eu pudesse dar só um conselho pra qualquer pessoa, seria esse: aprenda a ficar sozinho. Sério mesmo. Pode parecer duro, até meio triste de ouvir, mas tem uma força aí que muita gente só entende depois de se machucar bastante. A verdade é que a gente passa a vida toda colocando esperança nos outros. Acreditando que existe alguém que vai estar sempre lá. Que vai segurar a nossa mão quando tudo desabar. Que nunca vai falhar. Que nunca vai embora.
Mas deixa eu te contar uma coisa. Por mais que exista gente boa nesse mundo e existe sim ninguém vai estar com você em todos os momentos. Ninguém vai sentir o que você sente, carregar o que você carrega, enfrentar o que só você sabe que dói tanto. A gente pode até ter alguém do lado, mas nem sempre essa pessoa vai entender o peso das coisas que moram dentro da gente.
Tem horas na vida em que, mesmo rodeado de gente, a gente se sente sozinho. E isso não é porque as pessoas são ruins, mas porque tem dores, medos e dúvidas que são só nossos. Ninguém pode entrar dentro da sua cabeça ou do seu coração pra resolver o que tá bagunçado aí dentro. E é por isso que aprender a estar com você mesmo é tão importante. É tipo aprender a nadar antes de cair no mar.
Muita gente acha que ficar sozinho é ruim. Que é sinal de tristeza, de fracasso, de abandono. Mas eu não tô falando daquela solidão pesada, que machuca. Eu tô falando de saber se bastar. De estar inteiro sem precisar que alguém venha completar aquilo que você sente que falta. Quando a gente aprende a ser companhia pra si mesmo, tudo muda. A gente para de aceitar migalha, de implorar atenção, de se diminuir só pra caber no mundo do outro.
Sabe aquela ideia de que “com essa pessoa eu posso contar sempre”? Pois é. Não pode. É cruel dizer isso? Talvez. Mas é verdade. Mesmo quem ama, mesmo quem promete ficar, pode mudar, pode ir embora, pode te decepcionar. E aí, se você não souber andar com as próprias pernas, vai cair. Vai se quebrar. Vai sentir que perdeu o chão. Porque, sem perceber, você colocou tudo o que era importante na mão de alguém que também é humano, também falha, também vai embora.
É claro que é bom ter gente por perto. A gente precisa de carinho, de amizade, de amor. Mas isso tudo tem que vir como complemento, não como base. A base tem que ser você. A pessoa que vai acordar todos os dias com você é você. Quem vai ouvir seus pensamentos mais difíceis no silêncio da madrugada é você. Quem vai segurar sua própria mão nos momentos em que ninguém mais puder, é você.
Talvez agora isso tudo pareça confuso, distante, até meio frio. Mas um dia, em algum momento da vida e eu espero que não seja num momento de dor você vai lembrar dessas palavras. E vai entender o que eu tô querendo dizer. Vai perceber que se conhecer, se cuidar, se respeitar, se acolher, é a maior forma de amor que existe. Porque quando você aprende a ficar bem sozinho, ninguém mais tem o poder de te destruir por completo.
E não é sobre fechar o coração ou se isolar do mundo. É sobre saber que, mesmo quando tudo der errado, você vai conseguir se levantar. É sobre confiar em si mesmo, mesmo quando ninguém mais acreditar. É sobre ser seu melhor amigo, seu porto seguro, seu abrigo.
Então, se eu puder te pedir uma coisa hoje, é essa: comece devagar. Fique em silêncio de vez em quando. Escute seus pensamentos. Cuide de você com carinho. Descubra o que te faz bem. E aprenda, com o tempo, a ser sua própria companhia. Porque no fim das contas, a única pessoa que vai estar com você do início ao fim da caminhada… é você mesmo.
— André Luiz Santiago Eleutério