
Sempre que alguém te contar uma história ruim sobre mim, pensa bem antes de tirar qualquer conclusão. Lembra que eu também já fiz o bem pra essa pessoa. Já estive do lado dela, já ajudei, já fui ombro, já fui apoio. Mas isso ela provavelmente não vai te contar. Não porque esqueceu, mas porque, na hora de justificar a mágoa, o orgulho ou a raiva, é mais fácil apagar as partes boas. É mais conveniente.
A verdade é que é fácil focar no negativo. A parte ruim da história sempre chama mais atenção. É o que gera comentário, mexe com a curiosidade, vira fofoca, vira julgamento. E é aí que mora o perigo: quando a gente acredita demais numa versão só, a gente corre o risco de ser injusto com alguém ou pior, de repetir essa injustiça com outras pessoas.
Todo mundo tem um lado que não mostra. E toda história tem mais de uma versão. Quando você escuta só uma, você tá vendo o mundo com um olho fechado. E o problema de enxergar com um olho só é que a gente perde a profundidade. A gente passa a ver tudo raso, tudo simples, tudo “preto no branco”. Só que a vida é cheia de nuances, cheia de poréns, cheia de momentos que não cabem num julgamento apressado.
Você já parou pra pensar que, em muitas histórias, você pode ter sido a parte ruim? Às vezes a gente também decepciona, também falha, também erra. E nem sempre quem fala mal de alguém é o inocente da história. Às vezes é só quem gritou mais alto, quem teve mais espaço, quem soube contar primeiro. E quem conta primeiro, normalmente, guia o olhar de quem escuta.
Mas escutar não é o problema. O problema é escutar e já sair acreditando. O problema é não querer ouvir o outro lado. Porque todo mundo tem um lado bom que não aparece nas versões dos outros. E, olha, às vezes o outro lado nem é tão inocente quanto quer parecer.
Essa história que te contaram sobre mim — talvez seja verdade, talvez não. Talvez seja só uma parte da verdade. Mas o ponto nem é esse. O ponto é: por que você não me ouviu também? Por que você achou que só o que te disseram já era suficiente? A gente precisa aprender a duvidar um pouco, a questionar mais, a entender que nem sempre estamos do lado certo só porque alguém nos contou uma história com lágrimas nos olhos.
E mais: a gente precisa se olhar também. Já parou pra pensar que, às vezes, você é quem machucou? Que você é quem foi embora? Que você é quem não soube cuidar? Que, na história que outra pessoa conta, é você que é o vilão?
A reflexão aqui não é só sobre mim, é sobre você também. Sobre todos nós. Porque, em algum momento, todos fomos mal interpretados. E, em outro, todos fomos injustos com alguém. Isso faz parte da vida. Mas saber disso, reconhecer isso, nos obriga a agir diferente. Nos obriga a ouvir com mais cuidado. A julgar com mais calma. A lembrar que ninguém é só o erro que cometeu e ninguém é só o que os outros dizem dele.
Então, da próxima vez que te contarem uma história, qualquer história, não sai acreditando de cara. Pergunta. Escuta. Pensa. E, se possível, escute os dois lados porque, acredite, um dia vai ser a sua história que vão contar. E aí, você vai querer que te escutem também.
— André Luiz Santiago Eleutério