
Muita gente chama de amor, mas o que está vivendo é só carência. É quando a gente quer tanto ser amado que acaba aceitando qualquer coisa que pareça amor, mesmo que não seja. E é aí que mora o perigo. Quando a carência fala mais alto, a gente se cega. Enxergamos sentimentos onde só existe interesse. Nos submetemos a migalhas porque acreditamos que isso é o melhor que podemos conseguir. Mas não é. E nunca foi.
Às vezes, o coração machucado confunde presença com afeto. Confunde companhia com cuidado. Confunde desejo com amor verdadeiro. E é nesse momento que a gente se envolve em histórias rasas, onde o outro não quer crescer junto, só quer passar o tempo. E é aí que a gente precisa parar e se perguntar: “Isso é amor ou é só o medo de estar sozinho(a)?”
O amor de verdade não pesa. Ele traz paz. Não precisa de esforço constante para ser provado. Não é feito de joguinhos, de silêncios forçados. Ele não vem com insegurança. Amar de verdade é ser leve, é ter a liberdade de ser quem você é, sem medo de não ser suficiente. É ser real, com defeitos, com verdades e com sentimentos sinceros.
A verdade é que muita gente vive buscando ser amada, quando, na verdade, precisava primeiro aprender a se amar. Porque quando você se ama, você se protege. Você não aceita menos do que merece. Não se entrega por carência; você escolhe com consciência. Você não se anula para caber na vida de alguém. E, principalmente, você entende que ser rejeitado por quem não vê seu valor não é uma perda, é um livramento.
O primeiro passo para um amor saudável é o respeito por si mesmo. Quando você respeita suas emoções, você não finge estar bem só para manter alguém por perto. Não se força a sorrir para esconder a dor de não ser prioridade. Você simplesmente reconhece que merece mais, e se permite sair de situações que machucam, mesmo quando ainda há sentimentos.
Muita gente tem medo de ficar sozinha. Mas o medo de ficar só não pode ser maior que o desejo de ser feliz. Você pode até se sentir solitário às vezes, mas não precisa se abandonar. Você precisa se acolher, se escutar, se cuidar. Porque quem se cuida, se cura. E quem se cura, aprende a amar de forma mais leve, mais verdadeira.
Não adianta tentar forçar uma conexão que só você alimenta. Amor não se implora, não se convence, não se cobra. Amor se sente. E quando não é sentido dos dois lados, é só desgaste. Você se doa demais e recebe de menos. Você se esquece de si mesmo para manter o outro por perto. Isso não é amor. Isso é dor disfarçada.
Você não precisa mudar quem é para ser aceito. Só precisa ser você. Porque quem realmente te merece vai reconhecer seu valor sem que você precise se diminuir. Vai te enxergar por inteiro, com todas as suas verdades. E se, mesmo assim, essa pessoa não quiser ficar, tudo bem. O mundo não acaba por causa de uma ausência. O que importa é que você foi verdadeiro. E quem perde não é você.
Algumas pessoas só aparecem para ensinar o que você não deve aceitar nunca mais. Elas vêm para mostrar onde ainda dói, onde ainda falta amor próprio. Quando elas se vão, leve com você a lição, não o trauma. O aprendizado, não o peso. É isso que faz a gente crescer e se preparar para viver o que realmente merece.
É preciso coragem para se olhar no espelho e dizer: “Eu mereço mais.” E essa coragem começa quando você entende que estar com alguém não é uma obrigação, é uma escolha. E essa escolha precisa fazer sentido, somar, cuidar. Não aceite menos que isso.
Melhor estar só com paz do que acompanhado com dúvida. Melhor dormir tranquilo sabendo que foi sincero do que viver tentando agradar alguém que nunca vai te valorizar. O amor começa em você. Quando ele estiver firme dentro de você, ninguém mais vai conseguir te convencer de que você merece pouco.
Porque quem se ama, se protege. E quem se protege, não aceita ser machucado em nome de um amor que só existe na ilusão da carência.