Nem Toda Dor Grita – por Andre Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério


Nem toda dor faz barulho. Nem todo sofrimento vem acompanhado de lágrimas ou pedidos de socorro. Tem uma dor que se esconde no silêncio, que se fecha num canto e aprende a continuar mesmo quando tudo dentro de si pede pausa. E talvez você conheça bem essa dor. Talvez esteja sentindo ela agora.

A gente aprendeu a correr pra quem chora alto, pra quem desaba na frente de todo mundo, pra quem grita “eu não tô bem”. Mas e quem se cala? E quem não sabe como dizer o que sente? E quem aprendeu, desde cedo, a esconder a tristeza pra não incomodar ninguém?

Tem sofrimento que não aparece. Que veste um sorriso, que segue o dia, que responde “tudo certo” mesmo quando o coração tá em pedaços. E é fácil não perceber. É fácil achar que quem tá em silêncio tá em paz. Mas o silêncio também fala. Às vezes, até mais do que as palavras.

Pode ser que você esteja vivendo exatamente isso. Pode ser que esteja cansado demais pra explicar. Pode ser que tenha tentado pedir ajuda, mas ninguém ouviu. Ou que ouviu, mas não entendeu. Então você aprendeu a calar. A aguentar firme. A resolver tudo sozinho. Porque foi o único jeito que encontrou de continuar.

Mas carregar o mundo nas costas todo dia tem um preço. Fingir que está tudo bem o tempo inteiro também cansa. E chega uma hora que o corpo sente. A cabeça pesa. O peito aperta. E não tem sono que resolva. Não tem distração que baste. Porque não é o corpo que tá cansado — é a alma.

E quando a alma se cansa, tudo perde a cor. Coisas simples viram esforço. Conversas leves parecem pesadas. E até a presença de outras pessoas dói. Porque ninguém vê o que você tá enfrentando por dentro. Ninguém percebe o silêncio como um pedido. Ninguém repara no olhar perdido, na fala contida, no sumiço discreto. Porque, pra todo mundo, você é forte. Você é quem aguenta. Quem ajuda. Quem está sempre ali.

Mas até quem ajuda precisa ser ouvido. Até quem carrega precisa ser amparado. Até quem não fala, quer ser entendido. E talvez você esteja só esperando isso: que alguém perceba. Que alguém olhe com mais atenção. Que alguém veja além do que você mostra. Porque você cansou de explicar. Cansou de não ser levado a sério. Cansou de se sentir invisível.

A dor silenciosa também é dor. O silêncio também grita. Só que grita por dentro. E esse tipo de grito machuca de um jeito que ninguém vê. Só você sabe. Só você sente.

Por isso, esse texto não vem pra te cobrar força. Nem pra te mandar levantar a cabeça ou seguir em frente. Ele vem pra te dar um espaço. Um tempo. Uma pausa. Ele vem pra dizer que tá tudo bem se você não estiver bem. Que você não precisa fingir nada agora. Que pode soltar esse peso um pouco. Nem que seja por alguns minutos.

Você não precisa se justificar. Não precisa explicar sua dor com detalhes. Ela é sua. Ela existe. E ela merece ser cuidada. Mesmo que ninguém mais tenha percebido. Mesmo que você mesmo esteja tentando ignorar.

Talvez você só precise de um abraço, mesmo que seja em forma de palavras. Talvez precise de silêncio, mas não de solidão. Talvez precise de alguém que fique do seu lado sem querer consertar nada. Só pra dizer: “Eu tô aqui. Se quiser falar, eu escuto. Se quiser só respirar, tudo bem também.”

É difícil ser sempre o forte. É difícil guardar tudo só porque ninguém parece pronto pra ouvir. Mas você não precisa aguentar tudo o tempo todo. Você também tem o direito de parar. De sentir. De ser vulnerável. E isso não te faz menor. Te faz humano.

Se o mundo não te escutou até agora, eu quero que você saiba que, aqui, você tá sendo ouvido. Que sua dor importa. Que seu silêncio também tem voz. E que você não precisa gritar pra ser notado. Às vezes, basta alguém que escolha enxergar.

Nem toda dor grita. Mas toda dor precisa ser olhada com respeito. Com carinho. Com presença.

E se hoje você estiver em silêncio… saiba que isso também é um pedido. E ele merece ser atendido.

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