Quando Alguém Vai Embora e Te Deixa no Vazio – Andre Luiz Santiago Eleuterio

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Tem gente que entra na nossa vida com tanta intensidade que a gente até acredita que vai durar para sempre. Você se entrega, compartilha, confia. Começa a construir planos, encaixa a pessoa na sua rotina, no seu mundo, na sua visão de futuro. E, de repente, o que era presença vira silêncio. A pessoa que ontem dizia que sentia sua falta, hoje já não responde nem um “oi”. A ausência começa a gritar no lugar onde antes havia afeto.

E é nesse momento que tudo desmorona por dentro. Porque não é só a pessoa que vai embora. É a imagem que você criou. É o sonho que você alimentou. É o espaço que ela ocupava dentro de você e que agora ficou vazio. A gente tenta entender. Revive cada conversa, cada gesto, tentando encontrar uma explicação que talvez nunca venha. Porque a verdade mais dura é que, muitas vezes, as pessoas simplesmente vão embora. E você não faz mais parte dos novos planos delas.

Essa realidade machuca. Parece que rasga algo que você não sabia que podia doer tanto. É difícil aceitar que alguém consiga seguir a vida como se você nunca tivesse sido importante. Enquanto você sente um buraco se abrindo no peito, o outro está sorrindo em novas fotos, em novas companhias, vivendo novos começos. E o mais cruel: como se o que houve entre vocês nunca tivesse existido de verdade.

A dor do desapego não vem só da ausência. Vem da quebra de expectativa. Vem do esforço que você fez achando que era recíproco. Vem da lembrança de tudo o que foi dito e que agora soa vazio. Apegar-se é acreditar. É olhar para o outro com esperança, com vontade de construir algo juntos. Mas quando o outro não sente o mesmo, tudo isso vira um fardo que só você carrega.

E aí bate a culpa. Será que fui demais? Será que pressionei? Será que errei em confiar? Você começa a se questionar, a se diminuir, a procurar defeitos em você que talvez nem existam. Mas, na maioria das vezes, não é você o problema. É o outro que não soube ficar. Que não teve coragem de ser claro. Que preferiu ir embora em silêncio do que ser honesto sobre não querer mais.

Tem gente que se aproxima por necessidade, mas se afasta quando encontra novidade. Gente que se envolve por carência, mas foge quando exige presença. E a gente que sente tudo com profundidade fica no prejuízo emocional. Porque quem sente muito sofre mais. E quem sofre mais aprende a se reconstruir sozinho, no escuro, no silêncio, sem aplausos, sem ninguém vendo.

Mas por mais que doa, é nesse processo de reconstrução que nascem as maiores forças. Quando você é deixado para trás, aprende a se colocar em primeiro lugar. Aprende a perceber que não pode entregar sua paz nas mãos de quem não sabe cuidar nem da própria. Aprende que se doar por inteiro a quem só aparece pela metade sempre vai te deixar em pedaços. E que amor próprio não é luxo, é necessidade.

Desapegar é difícil. Principalmente quando o coração ainda espera um sinal, uma mensagem, uma volta. Mas desapegar também é libertador. Porque te obriga a se olhar com mais carinho. A respeitar o seu tempo, o seu valor, a sua história. Te mostra que você não precisa ser a escolha de ninguém para se sentir inteiro. Que você não precisa implorar por migalhas emocionais. E que estar só pode ser menos doloroso do que insistir em quem já não te vê mais.

A ausência ensina. Ensina a filtrar melhor quem você deixa entrar. Ensina a não criar laços profundos com quem só quer laços superficiais. Ensina a dizer “basta” antes de se anular tentando fazer dar certo. Ensina que nem todo mundo vai te amar como você ama — e tudo bem. Isso não te faz menos merecedor de amor. Só te mostra que ainda não foi com a pessoa certa.

Aceitar a impermanência das relações é um exercício doloroso, mas necessário. Porque por mais que a gente deseje estabilidade, a vida é movimento. Pessoas mudam, sentimentos mudam, prioridades mudam. E você não tem controle sobre isso. O que você pode controlar é a forma como reage. E a forma como se reconstrói.

Vai chegar um momento em que você vai olhar para trás e perceber que aquele abandono foi o empurrão que você precisava para se redescobrir. Vai entender que o vazio que ficou era, na verdade, espaço para algo novo chegar. Algo mais leve, mais verdadeiro, mais inteiro. Algo que tenha a ver com quem você realmente é — e não com o que você tentou ser para agradar alguém que nunca te enxergou por completo.

Então, se alguém foi embora e te deixou perdido, não se desespere. Sinta a dor, mas não se afunde nela. Chore, mas não se afogue no choro. Você ainda vai sorrir de novo. Vai amar de novo. Vai viver novas histórias. Mas, acima de tudo, vai aprender a nunca mais se abandonar por causa de alguém.

No fim, a lição mais valiosa que o abandono traz é essa: a de que a única pessoa que nunca pode ir embora da sua vida é você mesmo.

Por André Luiz Santiago Eleutério

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