Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir – por André Luiz Santiago Eleutério

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Amanhecer sozinho é uma dor que não se explica com palavras. O quarto está igual, a cama está do mesmo jeito, mas tem algo que falta. O silêncio machuca. A ausência pesa. E o coração, esse vai ficando cada vez mais apertado. Tudo parece ter parado no tempo, menos a dor de não saber se a pessoa que foi embora volta algum dia.

Não teve um adeus claro. Não teve explicação. Só a partida. Só o vazio. Só o coração partido tentando entender o que fez de errado, o que poderia ter sido feito diferente. E fica essa pergunta martelando: “Se eu errei, por que não me disse? Se eu te machuquei, por que não tentou consertar comigo?” Mas não há resposta. E o sofrimento vai crescendo.

Era amor, disso não havia dúvida. Um amor cheio de momentos bons e ruins, como toda relação verdadeira. Tiveram brigas, sim. Mas também tiveram reconciliações intensas. Aquelas que fazem o tempo parar, o mundo desaparecer. Quando estavam juntos, tudo parecia pouco. Era como se o universo não fosse suficiente para tanta entrega.

Mas alguma coisa aconteceu. Algo que fez o amor virar distância. E agora, sozinho, tudo o que resta é saudade. Não é saudade só do corpo, do toque, mas do riso, da rotina, da voz. Da paz que só quem ama de verdade consegue trazer. A vida perdeu um pouco da cor, e as horas se arrastam, como se cada minuto fosse um peso no peito.

Mesmo assim, o coração insiste em esperar. Esperar o telefone tocar. Esperar uma mensagem. Esperar um sinal de que tudo não acabou. Às vezes ele toca. Às vezes parece ser ela. Mas não tem resposta. E isso dói mais do que ouvir um “não”. Porque o silêncio é cruel. Ele deixa espaço para a imaginação, para a dúvida, para o medo.

A vontade é dizer tudo de uma vez. Abrir o coração. Gritar que ainda ama. Que ainda espera. Que ainda sonha com o dia em que tudo vai voltar a ser como antes. Porque essa paixão não foi qualquer coisa. Foi o centro da vida. Foi o motivo dos sorrisos, das forças pra seguir. Foi o que deu sentido aos dias.

E mesmo depois de tudo, o sentimento continua. Vivo, forte, pulsando. É como se uma parte da alma tivesse ido embora junto, mas ainda estivesse conectada por um fio invisível. Um fio que não se corta, não importa a distância. Não importa o tempo.

Sonhar com uma ligação virou rotina. Falar sozinho, imaginando o que diria se ela atendesse, também. Porque quando se ama de verdade, qualquer possibilidade vira esperança. E quando o amor é puro, ele encontra jeitos de resistir. Mesmo machucado. Mesmo inseguro. Mesmo sozinho.

As lembranças vêm como filme. Cada gesto, cada olhar, cada momento vivido. E vem também aquela vontade de voltar no tempo, de consertar os erros, de ter sido mais paciente, mais leve, mais presente. De ter dito mais vezes “eu te amo”. De ter abraçado mais forte. De ter ouvido com mais atenção.

Mas o tempo não volta. E o que resta é lutar com a saudade e com a culpa. Com a falta e com a vontade de recomeçar. Não importa o que tenha acontecido. O coração continua firme, esperando uma chance. Uma nova conversa. Um reencontro. Um perdão.

Amar assim é raro. É entrega verdadeira. É se jogar sem medo, mesmo sabendo que pode doer. É aceitar as imperfeições, os tropeços, as falhas. E ainda assim, escolher ficar. Escolher cuidar. Escolher construir algo juntos. Porque ninguém é perfeito. Mas o amor consegue enxergar além disso.

Mesmo com todas as dúvidas, o sentimento continua. Firme. Presente. E a vontade de gritar pro mundo inteiro ouvir que ainda ama, que ainda quer, que ainda sonha… essa vontade só cresce. Porque quando a pessoa certa vai embora, não tem como seguir como se nada tivesse acontecido. A vida muda. A alma sente.

Talvez o telefone nunca toque. Talvez a volta nunca aconteça. Mas mesmo assim, o amor não se apaga. Porque quando é real, ele não depende do outro pra existir. Ele vive, mesmo em silêncio. Mesmo em segredo. Mesmo sem resposta.

E mesmo que o coração pareça cansado, ele ainda encontra forças pra esperar. Pra imaginar o momento em que ela vai ouvir, de verdade, aquilo que está preso na garganta:

“Eu te amo e vou gritar pra todo mundo ouvir.”

Não é só uma frase. É um grito da alma. Um pedido de volta. Um desabafo sincero de quem não consegue mais fingir que está bem. De quem ainda acredita que o amor verdadeiro merece uma segunda chance. Que vale a pena insistir, lutar, recomeçar.

Porque amar é isso. É aceitar os dias ruins. É dar valor aos dias bons. É perdoar. É se reinventar. E acima de tudo, é não desistir.

Se você também sente isso, não tenha medo. Fale. Demonstre. Grite, se for preciso. Às vezes, tudo o que o outro precisa é saber que ainda é amado. Que ainda é importante. Que ainda existe uma chance.

E talvez, só talvez… o amor também esteja esperando você.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima