A estrutura que sustenta a presença de Deus em nós – André Luiz Santiago Eleutério

Foto de André Luiz Santiago Eleutério, autor do Pensamento Diário com reflexões emocionais sobre a vida
André Luiz Santiago Eleutério

Existe um detalhe na Bíblia que, à primeira vista, parece apenas uma anotação técnica sobre construção, mas que, quando olhamos com sensibilidade espiritual, revela um convite profundo para nossa vida de hoje. Em Êxodo 36.20, lemos:

“Fez também, de tábuas de madeira de acácia, o tabernáculo; eram colocadas verticalmente.”

É só isso. Uma linha. Mas essa linha fala muito. Porque por trás dessas tábuas de madeira está o começo da construção de um espaço onde Deus escolheria habitar. Não era qualquer tábua, nem qualquer madeira, e não era de qualquer jeito. Era madeira de acácia, firme, resistente, durável. E era colocada em pé, de forma vertical, como quem se apresenta pronto a sustentar algo importante.

Agora, se a gente traz esse cenário para hoje, essa imagem pode nos lembrar de algo essencial: nossa vida também precisa de estrutura para sustentar a presença de Deus. Porque não basta querer sentir Deus — é preciso estar preparado para suportar a presença Dele. E essa preparação não é feita com coisas materiais, mas com princípios, atitudes e decisões diárias.

Vivemos numa era de fluidez, onde tudo passa rápido, onde poucos têm raízes profundas. Mas Deus ainda procura estruturas firmes. Pessoas que estejam de pé. Que escolham ser como tábuas de acácia: fortes, disponíveis, fiéis ao seu propósito.

Eu, André Luiz Santiago Eleutério, escrevo esse texto como quem também está nesse processo. Já me senti fraco, já pensei que não era suficiente para sustentar nada, quanto mais algo divino. Mas aprendi, com o tempo, que Deus não procura tábuas perfeitas — Ele procura tábuas disponíveis. Que estejam de pé, mesmo com marcas. Que aceitem ser parte de algo maior, mesmo que não brilhem sozinhas.

O tabernáculo era feito de muitas tábuas. Cada uma tinha seu lugar. Nenhuma sustentava tudo sozinha. Isso fala da nossa vida em comunidade. Vivemos numa geração que valoriza o “eu”, mas a presença de Deus sempre habitou no “nós”. Cada um tem uma posição. Cada um tem um papel. E quando alguém abandona seu lugar, o tabernáculo enfraquece. Não é só sobre mim, nem sobre você. É sobre a gente junto.

Pense nisso: você tem sido uma estrutura ou tem vivido desmontado?

Porque não é difícil perceber: tem muita gente desmoronando por dentro. Cheia de potencial, mas sem estrutura. Cheia de emoção, mas sem direção. Querendo mudanças, mas sem fundação. Tábuas que caíram. Tábuas que foram arrancadas pela dor, pelo abandono, pela frustração. Tábuas que acham que não servem mais.

Mas a graça de Deus é linda. Porque mesmo quando uma madeira está rachada, desgastada, Ele pode restaurá-la. Ele pode alisá-la com paciência, fortalecê-la de novo e reposicioná-la no tabernáculo. Deus é especialista em reconstruir.

Talvez o que mais falta hoje não seja fé no poder de Deus, mas fé de que Ele ainda quer usar a gente. Mesmo depois de tudo. Mesmo depois das quedas. Ele ainda escolhe habitar entre nós. Mas para isso, precisamos estar de pé. Precisamos querer voltar a ser tábua. Não muro. Não pedra de tropeço. Mas tábua que sustenta. Que se entrega. Que constrói.

E mais: a madeira de acácia era simples. Não era de luxo. Não era ouro. Mas era firme. E Deus escolheu exatamente essa. Isso nos ensina que não é sobre aparência, é sobre essência. Você pode até não parecer forte, mas Deus conhece sua resistência. E se Ele te escolheu, é porque sabe que você pode sustentar algo importante.

A verticalidade também é simbólica. As tábuas ficavam em pé. Isso nos convida a sair da posição de queda, de acomodação, de desânimo. É hora de se levantar. Mesmo que seja devagar. Mesmo com dor. Mesmo sozinho no começo. Estar de pé é um ato de fé. É dizer: “Deus, estou aqui. Ainda quero ser morada Tua.”

E veja: o tabernáculo era provisório, mas mesmo assim, era feito com excelência. Deus merece o nosso melhor, mesmo nas fases de transição. Mesmo no deserto. Mesmo sem tudo resolvido. Não espere ter a vida perfeita para se oferecer a Deus. Dê o que você tem agora. Sua madeira. Sua tábua. Sua estrutura.

Temos vivido dias difíceis, eu sei. A alma cansa, o corpo falha, a esperança oscila. Mas lembre-se: a presença de Deus não habita em paredes de luxo, mas em corações disponíveis. Em tábuas que, mesmo com cicatrizes, permanecem de pé.

Se você se sente fraco hoje, eu quero te lembrar: Deus continua construindo tabernáculos. E Ele quer usar você.

Então respira. Levanta. Se oferece de novo. Se posiciona. Porque há algo maior sendo edificado. E quando o tabernáculo estiver pronto, você vai olhar pra trás e entender: cada lágrima, cada silêncio, cada noite difícil valeu a pena. Porque nada é mais valioso do que carregar, dentro de si, a presença real do Deus que nunca desiste da gente.

E que, como as tábuas da acácia, você seja firme. Não porque nunca caiu, mas porque decidiu ficar de pé de novo. Deus vai habitar. Ele está vindo. E Ele procura um lugar.

Seja você esse lugar.

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